quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Entrevista da Hayley para a Bust Magazine
Paramore Is My Drug quinta-feira, 14 de novembro de 2013 0 comentários

Confira abaixo a entrevista que a Hayley deu a revista:


De certa forma, Hayley Williams, a líder da banda pop-punk Paramore, é como qualquer outra moça de 25 anos. Ela trabalha duro, faz compras em lojas simples e ama experimentar com seu cabelo. Na verdade, apesar de seus vários seguidores no Twitter (3,5 milhões, mais ou menos), o número de sites devotados à suas opiniões e roupas, e o a obsessão da mídia sobre suas idas e vindas, Williams é chocantemente comum. Tão comum que, conversando com ela, você quase esquece como é sua rotina de terça-feira, assistindo “House Hunters”, e a dela é tocar um show lotado na Wembley Arena em Londres. (Naquele momento, “Still Into You” era número um nas paradas de rock do Reino Unido.) O fato é que ela não é pouca coisa. Todos os quatro álbuns da banda (“All We Know Is Falling”, “Riot!”, “Brand New Eyes” , e “Paramore”) ganharam certificado ouro ou platina, e ela foi a primeira personagem feminina no famoso jogo de vídeo games “Guitar Hero”.
Quando canta, WIlliams é como um foguete, balançando de um lado pro outro do palco em seus Converse enquanto joga seu cabelo laranja pelo ar. É uma personagem tão ousada quando sua voz rouca, a qual ela utiliza em suas músicas mais agitadas e pesadas e, às vezes, nas baladas. Numa vertente parecida de No Doubt e Avril Lavigne, Paramore toca o que você pode chamar de “punk feliz”, e como resultado, a banda tem sido criticada pela imprensa do rock por ser nada mais do que uma “modinha pop”. E como críticos são rígidos com bandas que têm fãs adolescentes, tem uma certa “esnobação” indie direcionada ao Paramore. Mas mesmo se você não for fã da música, Williams merece sua atenção pois, diferente das outras artistas feminina, ela está representando o feminismo para seus seguidores. Ela se abriu sobre sexismo e misoginia na indústria musical; apoia a Love146, instituição que luta contra tráfico sexual; e instruiu seus seguidores a lerem “Girls to the Front”, uma história de revolução feminina de Sara Marcus. E mais: ela realmente se diz uma feminista.Williams começou a ir atrás de sua carreira musical em 2002, quando se mudou da sua cidade natal no Mississippi para Franklin, no Tennessee e iniciou aulas de canto. Assinou com a Atlantic Records em 2003, com a surpreendente idade de 14 anos. Mas ao invés de se tornar uma diva pop, como seus empresários queriam, ela insistiu que queria ser líder de uma banda.
Mais ou menos na mesma época, se tornou amiga dos rapazes de sua igreja e montou uma banda. A gravadora aceitou aceitar a banda toda, e em 2005, eles lançaram seu primeiro álbum “All We Know Is Falling”; Williams mal tinha 16 anos na época, o álbum foi bem recebido, mas sem muito sucesso nas vendas. Em 2007, tudo mudou. Seu novo álbum “Riot!” foi platina e firmou o Paramore como um grupo pop-punk nas paradas da Billboard.
Então em 2010, uma reviravolta dramática; dois membros deixaram o grupo. Numa carta postada na internet, eles disseram os motivos pelos quais estavam saindo da banda: O rumo tomado estava indo contra suas crenças cristãs e eles não aguentavam mais “seguir o rastro do sonho de Hayley”. Por mais que eles não concordem, vamos ser francos – Paramore deve um pouco de seu sucesso às habilidades de Hayley. Para testemunhar: perguntei a uma amiga se ela conhecia a banda , imediatamente, respondeu “é aquela com uma cantora incrível?” A partida de dois membros certamente não destruiu o grupo; na verdade, seu primeiro álbum após o retorno, o “Paramore” teve uma recepção universal, alcançando ótimas críticas em tudo, desde Entertainment Weekly até The New York Times.
Pode ser que ela seja uma das mulheres mais bem sucedidas no rock, mas Williams ainda fala abertamente com seus fãs na internet; ela não se importa em mostrar o que tem atrás da cortina de seu estrelato. Postou uma foto em seu Instagram de uma revista que zombou seu estilo, ela brincou, “Receber um ‘não se vista assim’ de uma revista de moda é o maior prêmio para mim. Obrigada por reconhecerem minha indiferença para as expectativas que vocês têm de mim.” O post recebeu mais de 55 mil “likes” de seus seguidores. Isso também reflete a importância de Williams na cultura pop: seus fãs não simplesmente a seguem, eles a idolatram. Em inúmeros posts na internet a chamam de “feroz e dinâmica”, sua heroína, uma deusa, sua “maior inspiração”, e, claro, seu exemplo.
Com tanta atenção direcionada à ela, ficamos lisonjeados e surpresos que ela prestou atenção na BUST, twittando para a gente várias vezes durante os últimos meses. E quando ela concordou em ser a capa, ficou empolgadíssima de falar sobre feminismo com um de nossos representantes. Nossa despretensiosa e super divertida entrevista com Williams revelou que ela é uma moleca incapaz de fingir ser o que não é. Mesmo tendo dormido apenas 10 minutos de sono, segundo suas contas, na noite anterior à nossa conversa, ela foi encantadora. Essa estrela do rock é real. Bust: Você ainda se identifica como uma Cristã, e se sim, como isso funciona pra você, estando no mundo pop?
Hayley: Eu ainda me considero Cristã; entretanto, eu tenho que dizer que minhas crenças mudaram um pouco desde que eu era uma criança e estava primeiro aprendendo sobre histórias da Bíblia e indo para a escola dominical. Eu percebi o quão fechada minha educação era, e quanto mais enraizada na religião mais parecia que eu estava em um relacionamento real com o Deus em que eu digo acreditar. Tipo, eu não vou chegar e bater em todos os seus amigos gays, porque eu não acho que (a homossexualidade) é errado. Eu não sou esse tipo de Cristã. Mas eu nunca negaria minha fé. É algo que é meu.
Bust:  Depois que a banda foi fragmentada, eu li a carta que os membros que saíram colocaram na internet. Nela havia a acusação de que você tomou a banda pra si e forçou todo o mundo para o papel de seu segurança. Mas isso parecia um lixo de um discurso sexista depreciando uma mulher no poder. Parece raro uma pessoa acusar um homem na liderança por isso.
Hayley: Isso, exatamente! E isso é realmente algo que eu lutei por um longo tempo nessa banda. Quando eu tinha 16 anos, eu nem mesmo passava Chapstick (marca de protetor labial) para ser fotografada, porque eu queria ser apenas uma no meio dos caras. Eu só queria me misturar, de verdade. Essa carta foi muito engraçada pra mim, porque se somente as pessoas soubessem quantas coisas eu abri mão para que não se tornasse “The Hayley Show”. Eu recusei várias capas de revista, diversas oportunidades em filmes, acordos de publicidade e outros; coisas que, pra mim, significavam que eu estava indo em um rumo diferente do que é minha prioridade e onde meu coração está, e isso é o Paramore. Muitas gravadoras me queriam como uma cantora solo, muitas mesmo. Havia outras estradas que eu poderia tomar, mas porque eu iria querer fazer isso? Eu amo estar em uma banda. Eu amo meus amigos. Eu cresci com esses caras.
Bust: Eu assisti seu episódio do MTV Cribs, e eu vi sua coleção de bonecas Lucille Ball. Qual o apelo dela pra vocês?
Hayley: Não me deixavam assistir muito à TV quando eu era criança, mas me permitiam assistir Nick at Nite, para minha felicidade. Eu ia pra cama toda noite depois de assistir The Love Lucy. Eu amo uma mulher engraçada. Há milhares de garotos engraçados e pais patetas nos sitcoms, mas Lucy fazia isso de um jeito bastante divertido. Eu queria ser ela. Eu queria ser maliciosa, curiosa e louca. Ela realmente pode ter tudo a ver com o meu cabelo vermelho.
Bust: Qual é a primeira coisa que você faz quando chega em casa depois de uma turnê?
Hayley: Quando eu vou pra casa, o que eu quero fazer talvez seja assistir TV, cozinhar e pintar ou decorar alguma coisa ao redor da casa. Essa foi uma das primeiras coisas que me guiaram até o BUST – aqueles artesanatos legais. Enquanto estávamos morando em L.A. fazendo a (mais recente) gravação, eu ia para a casa da minha amiga Keira toda semana para a Quinta-feira do Artesanato. Era muito bom pra gente, porque você pode simplesmente deixar rolar e ter conversas com pessoas que você normalmente não teria, pois está focado em outra coisa. Eu nunca tive muitas amigas mulheres, mas esse era um tempo realmente legal na minha vida; eu conheci algumas garotas em L.A. e fazíamos artesanato. Eu sou bem obcecada com esse blog chamado A Beautiful Mess.
Bust: Meu Deus! Eu amo esse blog! Aqueles artesanatos são tão incríveis.
Hayley: Cara, eu sei! Nunca estarei no nível de uma Martha Stewart. Eu tenho que melhorar. Isso retorna à minha fantasia de ser “normal”. Na minha cabeça existe um mundo onde estou sentada em uma mesa fazendo artesanato o dia todo.

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